mashups literárias: (re)construindo a literatura clássica

12 07 2011

Tente imaginar-se lendo um clássico da literatura universal. Ou da literatura brasileira, como preferir, desde que seja um clássico, uma obra sacra, muitas vezes considerada chata e odiosa por legiões de pseudoleitores. De repente, no meio da sua leitura clássica aparecem zumbis, fadas, vampiros, elfos ou extraterrestres. Você levaria um belo susto, correto? É através dessa reação de quebra de protocolo literário que se constroem as mashups literárias (palavra do inglês, derivada do feminino), ou misturas literárias, numa adaptação idiomática. Esta nova maneira de se (re)construir literatura clássica torna-se cada vez mais popular no exterior e começa agora a penetrar nossas fronteiras.

<< [imagem: A Miaumorfose, baseado na obra de Franz Kafka]

Você já deve ter notado que é simples: apropriar-se de um clássico da literatura e adicionar elementos fantásticos a ele, sem que ele perca a identidade do autor. Reconstruir a história, deixando ela mais atrativa e inusitada, tirando-a do pedestal canônico da literatura. Quanto mais estranho ficar, maior a chance da nova obra fazer sucesso entre os leitores. Obviamente não se pode fazer um julgamento a respeito da qualidade destas novas obras sem antes lê-las, mas é interessante refletir que, independente da obra final, do resultado alcançado pelo (co)autor, as obras da literatura não precisam ser sacras.

E aí se levanta uma questão importante: será que não se trata de plágio? Não sejamos ridículos em pensar isso! Nenhuma das obras resultantes das mashups esconde ou boicota o autor original, muito pelo contrário. Seu nome continua talhado na capa, seguido pelo do autor que teve a ideia de modificar a história. É uma colagem literária, e não plágio. Algumas pessoas também tendem a questionar a relevância destas obras, mas isso já é tratar com  demasiada seriedade uma invenção que tem como pretensão apenas a brincadeira com a literatura.

Todo caso, tenho que confessar que, apesar de todo o frisson causado pela nova mania de se fazer literatura, o que me ocupa atualmente é uma grande pilha de livros que me desperta muito mais curiosidade do que as misturas inusitadas. Enquanto não der conta de diminuir essa quantidade de obras sacras, me atenho a colocar as mashups no final da fila, para uma leitura futura.

Anúncios

Ações

Informação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: