Os 13 porquês, de Jay Asher

19 06 2011


Os treze porquês
conta a história de Clay, um garoto que um dia retorna para casa e encontra uma caixa cheia de fitas cassete. Instigado por descobrir essa tecnologia ultrapassada, fica curioso sobre o que elas contêm. Ouvindo, ele fica chocado ao descobrir que as fitas se tratam de gravações feitas por uma menina, Hannah Baker, colega de classe que cometeu suicídio há não muito tempo atrás. Enquanto escuta, ele vai aprendendo que estas fitas foram feitas por Hannah antes de sua morte, e que eram destinadas às pessoas que ela considerava responsáveis por seu suicídio, quase como uma maneira de explicar porque ela havia tirado a própria vida.

Hannah gravou as fitas antes de cometer suicídio, explicou os treze motivos que a levaram a fazer isso e enviou-as dentro de uma caixa para a primeira das treze pessoas de sua lista e que ela mencionou na primeira fita. Após a pessoa ter ouvido as fitas, ela deveria enviar todas para a segunda pessoa da lista, mencionada na segunda fita. Clay, nona pessoa a receber as fitas, não entende o motivo de tê-las recebido, visto que nunca fez mal algum à Hannah.

É um livro fascinante. Contado por ambos, Clay e Hannah, a narração varia entre os dois parágrafo a parágrafo. Enquanto ela vai ditando sua história nas fitas, Clay vai tentando entender onde é que ele se encaixa na história. Clay anda pela cidade com seu Walkman ouvindo as fitas enquanto visita cada um dos locais que ela menciona na gravação em busca de tentar entender seus motivos. É angustiante ver a história de Hannah através dos olhos de Clay, principalmente porque ele começa a imaginar que tem grande culpa em seu suicídio.  No começo, fica difícil se acostumar à forma como a história é narrada, e cheguei até a pensar nas possibilidades de narração diferentes. Porém ao chegar no fim do livro percebi que não poderia ter sido contada de outra maneira, visto que foi perfeito para o entendimento dos fatos ver a narração de Hannah intercalada com os comentários de Clay.

A história de Hannah vai lentamente se desenrolando e ela não é nem um pouco agradável. Algumas coisas se tornam difíceis de se ler, ainda mais para um leitor que entende, vive ou já passou por situações parecidas com as que ela vivenciou e que a levaram a tomar sua decisão. E esta pobre menina sofreu muito. Enquanto eu ficava triste por Hannah e por seus motivos, ficava triste também pelas outras 13 pessoas que ouviam a fita e a partir de então começaram a se sentir responsáveis pela morte de alguém.

Alguns aspectos fogem da compreensão. Exemplo, o leitor se pergunta durante a história onde é que estão os laços familiares daquela garota. Houve vezes eu me perguntava como ela poderia ter autonomia suficiente para saber por que ela queria se matar ao invés de obter a ajuda necessária. No entanto, ao mesmo tempo, este livro traz para nossas mãos uma questão que merece atenção: a maneira que você trata os problemas das pessoas à sua volta podem condicionar os próximos passos delas.

Falar sobre suicídio é delicado. Acredito que a adolescência seja um período complicado e que os adolescentes não possuem a perspectiva que os adultos têm para lidar com certas questões. Já conheci adolescentes que cometeram suicídio, embora eu nunca tenha chegado a tentar algo tão extremo. As fraquezas nessa fase são inúmeras, levando-os a tentar métodos nada convencionais de fazer a dor parar. Esse é o ponto mais difícil na leitura deste livro: o que torna Hannah diferente de mim e de outros adolescentes e jovens? O que a leva a pensar que a morte resolveria seus problemas, quando a maioria dos adolescentes consegue sair dessa fase com vida?

Somos capazes de perceber o quanto de impacto podemos ter sobre outro ser humano? Uma palavra amável, uma nota encorajadora, um ouvido atento … essas coisas podem fazer a diferença no dia de alguém, na vida de alguém. Somos, em última instância, responsável pelas ações (como suicídio) dos outros? Obviamente que não, mas isso não muda o fato de que temos a capacidade de colocar uma pessoa para cima ou derrubá-la num piscar de olhos.

Os pais de Hannah são notavelmente ausentes, mas ela camufla isso dizendo que eles estavam trabalhando o tempo todo. Fiquei surpreso que eles participassem tão pouco a vida de Hannah, embora eu sei que há milhares de pais assim por aí. Além disso, Hannah parecia um pouco introspectiva e cheia de segredos para sua idade. A voz dela adquiriu um caráter um pouco adulto em várias partes da história.

Com tudo isso dito, eu recomendo não só que você leia este livro, não importa sua idade, mas também se você tem qualquer adolescente presente em sua vida, leia este livro. A única coisa que Hannah não fez foi discutir o suicídio com alguém. Se ela tivesse, acredito que ela teria encontrado outra forma.

[resenha feita por Geisson Homrich]

Título original: Thirteen reasons why
Tradução: José Augusto Lemos
Editora: Ática
Páginas: 244 (+ conversa com autor)

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