a promoção da reflexão linguística

17 05 2011

Observando-se a qualidade atual do ensino de Língua Portuguesa nas escolas públicas da rede básica do país, bem como os resultados obtidos através do IDEB em tal campo de conhecimento, é cada vez mais necessária uma intervenção significativa na maneira de se ensinar a Língua Portuguesa e seus mecanismos estruturais através de atividades inovadoras e metodologias consistentes, levando os alunos a desenvolverem um pensamento crítico sobre a língua e, consequentemente, a competência linguística. Os alunos do ensino básico necessitam de uma compreensão mais aprimorada dos mecanismos reguladores da Língua Portuguesa, estimulando-se a prática da leitura e da escrita que, como se sabe, é imprescindível para a qualidade de vida, tentando assim minimizar os efeitos causados pelo preconceito linguístico ainda presente nos meios sociais e profissionais.

A sociedade pressiona cada vez mais o ensino para a formação de sujeitos com competências comunicativas e de leitura, capazes de atuarem em um mundo letrado. Como apontado nos PCN (1999), “pela língua somos capazes de agir e fazer reagir”.  É notável que nas escolas básicas da rede pública o ensino da Língua Portuguesa ainda acontece de forma tradicional, onde as normas gramaticais são o principal conteúdo abordado. Porém, sabe-se que o ensino de Língua Portuguesa não deve compreender apenas a competência gramatical, visto que apenas esta competência não forma um indivíduo linguisticamente competente, mas sim envolver também questões práticas do uso cotidiano da língua nas mais diversas situações.

Com vistas nesse eixo de reflexão, devem ser elaboradas propostas que proporcionem aos alunos a reflexão linguística através dos meios existentes. Uma proposta que pode trazer bons resultados, para trabalhar com o Ensino Médio, por exemplo, seria trazer para dentro da sala de aula as redes sociais com as quais os alunos mais se identificam. Sabemos que a internet é livremente disseminada entre esta faixa etária e a grande maioria deles possui acesso, seja no lar, na escola ou outros ambientes. As ferramentas de comunicação e entretenimento usadas para relacionamento interpessoal e virtual constituem um rico corpus de análise e reflexão linguística: o discurso utilizado nas redes sociais e a linguagem utilizada são os mais proveitosos.

Pode-se, por exemplo, selecionar uma das redes sociais existentes e, através da pesquisa em perfis de usuário ou da comunicação estabelecida entre eles, trabalhar questões como o uso da norma culta ou coloquial da língua, as estruturas de formação de frases presentes nestas redes, o respeito (ou não) à ortografia, a interferência destes meios informais na qualidade da escrita dos usuários, etc. Uma série de atividades podem ser desenvolvidas apenas com uma rede social que seja do conhecimento dos alunos. Assim, as atividades realizadas em sala de aula possibilitariam a reflexão sobre os mecanismos de uso da língua e fugiriam do ensino tradicional voltado apenas para a gramática. Fato é que a formação do professor está diretamente ligada com a abordagem e os métodos didáticos que são aplicados na sala de aula. Um professor tradicional se mantém preso aos mesmos mecanismos de ensino por toda sua trajetória docente, incapaz de buscar meios e instrumentos de enriquecimento de suas aulas, desmotivado para a busca constante da melhoria do ensino.

Enquanto as instituições de ensino superior não formarem professores competentes para a produção do conhecimento, deixando os docentes perdidos num mar de teorias sem o conhecimento da prática, os professores não buscarão atualização constante e enriquecimento de seus meios didáticos, nem a potencialização de suas aulas e práticas pedagógicas, e aliando isso aos diversos outros fatores agravantes como a falta de reconhecimento profissional e a desvalorização constante da docência, permanecerão desmotivados e transmitindo esta desmotivação aos alunos. No que tange ao professor de Língua Portuguesa, acompanhar o ritmo de evolução dos meios de comunicação é imprescindível a uma prática docente eficaz, visto que ele é o profissional responsável por garantir a competência comunicativa de seus alunos. Este é o desafio atual nas escolas públicas da rede básica: ajudar a construir novas maneiras de recuperar, através dos meios existentes, um ensino de qualidade e uma prática docente inovadora no ensino de Língua Portuguesa, através da reflexão linguística.

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