ler ou não ler, eis a questão

15 05 2011

É com esta paráfrase da frase mais clássica de Hamlet que venho a lhe perguntar: há mesmo alguma vantagem em ler? Notoriamente os nativos do nosso país, em sua maioria, têm aversão ao ato de ler. Desleixados por natureza ao exercício da leitura, eles constroem cada vez mais uma nação desletrada e que não conhece sequer seu próprio idioma. Quem quiser constatar essa verdade, só precisa parar por um instante para analisar o rendimento das crianças em provas escolares, as redações de vestibular, concursos, etc.

O brasileiro lê muito pouco, ou quase nada. Um percentual bem pequeno daqueles que não se encaixam neste grupo, os que ‘sabem’ ler, mal conseguem ir além do segundo ou terceiro parágrafos sem já perderem o fio da meada e divagarem a respeito do conteúdo implícito no texto que estavam lendo, sabendo sequer explicá-lo. Há aqueles que conseguiram realizar um avanço deste estágio primitivo – e são bem poucos – mas apesar da leitura um pouco mais evoluída não dominam o texto dissertado ou são prolixos no seu conteúdo. Triste sina!

Visões como esta mostram o abismo que estamos desgraçadamente trilhando. A razão de tal seria o descaso de nossos governantes, as péssimas condições dadas e impostas à população, escolas despreparadas para o exercício pedagógico, educadores sem qualificação ou remuneração pífia, pais nem um pouco preocupados com a vida escolar dos filhos e principalmente alunos jogados ao esmo, sem apoio específico, má condição de vida e por aí afora. Temos a solução. Escolas com enormes estoques de livros, inclusão digital e principalmente bibliotecas abarrotadas de toda espécie de literatura à espera de leitores. Pronto! O governo fez então sua parte.

De nada adianta entupir as escolas com obras literárias e didáticas na falsa impressão de estar se construindo uma nação letrada, enquanto não houver se desenvolvido a principal característica necessária para a efetiva disseminação da leitura: o incentivo. E não adianta querer resolver esse estigma social jogando a responsabilidade apenas sobre a escola e os professores. Os professores são as primeiras pessoas que se proporão a começar o processo, mas não podem ser os únicos. A leitura vai além da sala de aula, além da biblioteca, além dos muros da escola. A leitura precisa ser incentivada na célula da sociedade: a família.

Canso de ver pais irem até as escolas de seus filhos após receberem o boletim escolar, com toda a autoridade que pensam ter para discutir com o professor qual o motivo do baixo rendimento dos filhos. Então sinto a necessidade de perguntar a estes pais: em algum momento eles acompanharam a evolução pedagógica dos filhos, ao invés de somente dar o parecer positivo ou negativo ao receberem o boletim deles? Alguma vez leram uma história para eles? Obviamente sei que existem pais que nem mesmo sabem ler, e não devem ser penalizados por isso. Mas a população analfabeta do nosso país não é tão grande assim pra que todos se escondam atrás dela. Aqui me refiro àqueles que praticam a ignorância voluntária, que não leem por que não querem e que ainda por cima tentam julgar outros culpados sem olhar para a própria ignorância.

O Brasil é um país imenso, ainda com uma parcela de analfabetos, mas não é o analfabetismo o maior problema desta nação. É a aliteratura. Isso precisa ser combatido. Para tal, basta a conscientização. Precisa ser legada a alguém. Quem se habilita?

Anúncios

Ações

Informação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: